Nesse artigo aponto 4 erros cometidos pelo autor experiente e que cometi quando iniciei minha carreira como autor. Por serem erros recorrentes em espetáculos que vejo, compartilho o que aprendi.

1 – Não Esqueça da Plateia

Toda existência do teatro e seus conceitos se fundamentam na presença da plateia ao mesmo tempo em que encenadores dão vida ao espetáculo, por isso conceba sua peça com isso em mente.

Uma peça que é concebida (escrita) sem levar em conta esses dois elementos presentes, plateia e encenadores, limita ou cala sua importância. Você  está escrevendo para um acontecimento único, que não se repete, pois o tempo não volta, assim sendo,  torne isso a seu favor.

Um autor de teatro comum vê em média 1 peça para cada 100 programas de TV ou filmes. Obviamente está contaminado pela linguagem. O “teatro burguês” do início do século retrasado também moldou a experiência teatral por ser perpetuar até hoje como a única estética, ou a principal linguagem e estética.

Na verdade as estéticas e linguagens   que trazem a experiência teatral mais próximo da sua máxima, são aquelas que inclui a plateia como agente indispensável no acontecimento teatral. Não como número de ingressos ou para “mandar energia” aos atores, mas por ser ela participante ativa do acontecimento, portanto, coautor.

Leia: O Teatro Pós Dramático,

2 – Não Sirva a Plateia

Laurie Andreson

Paradoxalmente, o autor não pode escrever a serviço da plateia. Não se você deseja proporcionar uma experiência original e relevante.

Se o autor de teatro tem conceitos herdados da TV e Cinema, assim tem a plateia. Escrever de forma subserviente  é validar vícios, é agradar a média, portanto, gera um teatro medíocre.

Escreva uma peça que, quando montada, proporcione uma experiencia nova, vivencial e original. Vivemos em tempos em que os idiotas se mostram super seguros e falantes e os sábios tão cheios de dúvidas, assim sendo, não fique inseguro com a reação que a plateia terá diante do  novo. Pode ser que falem com muita segurança que foi uma experiência horrível e de mal gosto, mas não negarão o caráter único do que viram e, provavelmente, a experiência será lembrada. Não foi obsoleta.

Leia: O Work-in-progress

 

3 – Não Escreva para Atores

Denise Stoklos

 

O autor de teatro pode ser tentado a escrever tendo um tipo de ator em mente ou até mesmo um ator ou atriz específico. Isso não é inspiração, outrossim,  limitação.

Escreva para gente, desenfreadamente e sem pensar em quem vai executar e, então, sugira o ator ou atriz. Ele ou ela vai poder trabalhar com um criação desafiadora e você, o autor, não ficou cativo.

Leia: Para Quem fala o Monólogo

 

 

4 – Não Use os Personagem para Falarem Por Você

Marina Abramović

O autor criativo e motivado pode ter algo importante a dizer, e põe seus personagens para falar por ele.

É óbvio que o autor pode, e deve, ter um senso critico e politico da cultura em que vive. Mas não precisa discursar sobre isso. Essa estratégia é usada pelo tal “teatro institucional” e “teatro evangélico” para convencer as pessoas a comprar suas invenções.

Seus personagens falam por si.  Garanta criar personagens interessantes, que eles falarão coisas interessantes, mesmo indo contra o que você pensa. A tal “mensagem” que você pode querer estar passando, calará muito mais profundamente se dita como uma somatória dos elementos que compões a peça do que se evidenciada em discursos.

Leia: Os Diálogos

 

 

 

 

 

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