Imagino que quando você se depara com uma ideia para uma peça teatral, você se pergunte: Para que Escrever Peça de Teatro? As redes sociais e mídias de baixo calão da TV informam o tempo todo sobre os ganhos milionários daqueles que escreveram livros sobre como ser feliz , como ganhar muito dinheiro sem trabalhar muito , como ser amado, mesmo sendo um egoísta filho-da-p**a  ou como ser um sucesso absoluto em tuto,  mesmo não sabendo nada sobre absolutamente nada. Milhões entram nas contas desses espertos que organizam tais publicações. Quem escreveria peça de teatro nesse cenário vorás? Resposta: gente rara.

 

A Peça Convoca à Reunião, Por Isso, Subversão

O autor de teatro é qualquer um que tenha papel e caneta; e se precisar criar imaginando sua obra realizada, ele olha ao redor, observa seus amigos, seus convivas e já “vê” quem fará esse ou aquele personagem. É assim que o teatro nasce: imaginando gente fazendo coisas na frente de gente. O produto final é a aglomeração das pessoas que inciaram a criação, somada à plateia.

Sempre subversivo, pois qualquer um pode inventar teatro em qualquer lugar: garagem, pátio de escola, sala de jantar, teatro ou rua.

Os governos opressores, como o que o Brasil sofre  no momento (2019 – nem falo  o nome, pois não merece crédito) tenta, por todos os meios, calar as criações artísticas: cinema, produção musical, artes plásticas; mas como poderia ele calar o que acontece em nosso jardim? Nossa praça ou garagem? O teatro é insubordinado, pois  só precisa de nós.

 

A Arte Marginal

Um governo imoral e medroso, como esse do evangélico, imagina poder controlar as criações subjetivas de uma nação inteira (lembre, um poder violento  é fraco e teme as ideias, pois elas não se machucam com a violência), porque quer inibir tudo o que não lhe serve. Apela de forma desesperada: chama a essas decisões agressivas  de  luta pela ética, moral e família. Com tanto poder nas mãos de um débil, como não temer esse inimigo? Criando na marginalidade.

O teatro pode ser marginal, pois não depende  de  linhas de captação de recursos governamentais, não depende de patrocínios nem de apoiadores. Esses instrumentos torna uma nação mais evoluída, mas não são essenciais ao acontecimento teatral.

 

Mas Por que Minha Peça não Tem Valor Comercial e Outros Ficam Ricos?

Grande parte da tal industria do teatro é apenas uma repetição do cinema ou da emburrecedora TV. Não se contamine.

Mesmo que esquetes de TV e recriações do cinema (sempre Estadunidenses) sejam montados num palco, e você consiga comprar um ingresso e sentar-se a 200 metros de distância  para ver essa maravilha…. essa maravilha é financeira e, no caso dos musicais estadunidenses, é  para  os que puderam comprar cadeiras nas primeiras 50 fileiras.  Que fique claro que comento aqui ao fato do Brasil comprar mais  franquias Estadunidenses do que apoiar seus autores. Não falo contra a linguagem do Teatro Musical.

 

Escrever Peça  Para Quem?

Embora exista, sim, uma multidão de debiloides de todas as idades usando mais o polegar sobre um celular  do que o cérebro, que jamais se interessaria sobre o que está acontecendo ao vivo numa garagem, jardim ou livraria independente, existe uma outra multidão que se posiciona exatamente de outra forma. Isso pode significar grupos de milhares de indivíduos de todas as idades, vivendo no campo, nas vilas, nas cidades pequenas, favelas e grandes centros.  Nem todos estão contaminados pelo “vírus” da imbecilidade da rede social. Alguns ainda querem uma experiência vivencial, presencial, humana e isso é ouro. 

 

Theater. Equality, Then What? New Plays Explore Modern Gay Life
Theater. Equality, Then What? New Plays Explore Modern Gay Life

Hoje comprovamos que a tecnologia digital só criou um bando de idiotas, pois é controlada por capitalistas e por isso deu errado, tem gente medíocre nutrindo o sistema.  Está sendo um desastre. Não impediu a fome mundial, não diminui o ódio entre grupos, não   foi capaz de colocar  o cristianismo ao lado de Zeus , Thor e a Caipora, não ajudou a evitar a crueldade contra animais, não fez com que os novos jovens ficassem mais magros, criativos, produtivos  nem interessantes,  não explicou para as solteironas que   muita maquiagem é pior pra arrumar marido e nem impediu que um psicopata com baixíssimo QI, como o atual presidente (Brasil 2020), fosse eleito sem nunca ter participado de um debate. É para essas pessoas que você quer escrever? Admita:  A porcaria toda deu errado, como a Chalenger, que explodiu logo no lançamento ou uma Chernobyl. Não, certamente você quer escrever para “As Outras Pessoas”.

Use a tecnologia a seu favor, seja mais esperto que os chipanzés que só usam os polegares. Não escreva para competir com youtubers, blogers, vergonhas-da-tv e nem para ficar rico. Retorno financeiro é sempre um estado, nunca uma essência. Escrevo peças há 25 anos, nunca fiquei rico, mas nunca me faltou dinheiro. O segredo? Escreva   para quem quer vivenciar sua criação, mesmo que você ainda não saiba quem elas sejam ou se vão te pagar por isso.

 

Sábios Mas Descuidados?

Observando o cenário geral do Brasil, a gente nota que há um descuido, um elitismo intelectual não assumido, daqueles que possuem ideias criativas do bem. São vaidosos.  Ficam fechados em seus mundos, em suas crises narcísicas e financeiras, debatendo suas criações em mesas de bar, em filas de teatro e cinema e (os menos inteligentes) em redes sociais, enquanto milhares de supostos autores de teatro evangélico (sempre uma facção da segregação social) tetro direitista e teatro pela moral e família fortalecem-se, pois seus autores estão dedicados a suas causas, mesmo sem serem pagos por isso.

Malthouse Baal Photo Busby
Malthouse Baal Photo Busby

Enquanto isso, onde estão os autores de teatro do bem? dos direitos de igualdade e respeito humano? direito de expressar a arte da forma que desejar, mesmo sem fazer sentido para uns ou outros? Alguns estão criando e debatendo, como faço aqui; mas a maioria , eu sei car***ho, estão  jogando “videogeime”,  assistindo “Marvel” , reclamando das injustiças com os artistas em assembleias públicas ou ressentidos, porque uma cantorinha gospel, brega e afetada ganha mais em uma noite de A-Buzzina-do-Chacrinha-Gospel  do que ele(a) ganharia num ano inteiro escrevendo peças , mesmo que sua peça fosse um sucesso.

 

O que Aprendemos com os Inimigos

Invadir os transportes púbicos para vender biscoito, carregador de celular ou deuses é um desrespeito ao cidadão que paga pela viagem. Nunca faremos isso, pois não compactuamos com a selvageria. Vemos o horror e baixa compreensão de cidadania e aprendemos pela rejeição.  Mas estar constantemente dedicado em sua produção, divulgação e distribuição, é uma lição que vem de fora, pois os intelectuais se ocupam mais em dar opiniões sobre o mundo do que em participar dele.

Você, autor de teatro, pessoa rara que imagina um momento de comunhão entre artista e plateia, que não se importa se isso aconteçe no Teatro Municipal de São Paulo ou em sua garagem ou jardim, você é o maior perigo que os opressores e religiosos temem.

Produza, publique, apresente.

 

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