Por onde Começar a Redigir uma peça do Teatro Musical ?

Você pode começar entendendo que em algum ponto você vai precisar de um músico com conhecimento de teoria e técnica de canto.

Todo o procedimento de preparação, criação da estrutura e desenvolvimento dos diálogos é precisamente como os utilizados para a redação de uma peça de teatro (não musical), por isso, se não leu, você deve ler antes, os seguintes artigos:

Em Company, de Stephen Sondheim, os atores além de cantarem, dançarem, também tocam, em tempo real, instrumentos musicais, totalmente integrados à linguagem estética.

 

O Que Vem Primeiro: A Música ou os Diálogos?

Embora a pergunta seja comum, ela não é importante.

Ela questiona o processo criativo do autor e não um método específico, portanto, não existe uma resposta para ela. O Autor do Teatro Musical pode ter uma canção, ou um conjunto de sons musicais, presos na cabeça. Pode ser que esses sons ganhem forma ao desenvolver a história, estrutura e diálogos, por outro lado, pode ganhar forma e virar partitura antes de tudo.

Se você for um músico e tem uma ideia para uma música, é bem possível que risque um pentagrama rapidinho e anote as notas essenciais para não se esquecer dela, contudo, isso não significa que a música ficara acabada antes dos personagens ganharem vida dentro de uma história.

 

O Que vier Primeiro Determinará uma Estética ou Estilo

Seja o conjunto de partituras ou o texto, o que vier primeiro determinará a estética da obra.

Ora, se você tem em mente, ou já nas partituras, um conjunto de canções regionais e tradicionais para a sua peça, vai precisar de muita ousadia para dar ao texto e aos elementos visuais uma estética Rock ou pós moderna. Se você for um experiente autor do Teatro Musical poderá se enveredar nesses experimentos, no entanto, se ainda for principiante, organize sua criação dentro de um estilo só, para que possa ser bem compreendido esteticamente tanto pelos artistas como pela plateia. 

 

Evite Compilações e Coletâneas

Stephen Sondheim – Uma das maiores referências do Teatro Musical Americano. West Side Story (1957) ,Company (1970), Into the Woods (1987), Sweeney Todd (1979)

Esse habito é comum. O artista pega um bocado de músicas que compôs ao longo de anos e enxerta numa peça.

Quase sempre essas coleções são desconectadas umas das outras, tanto em estilo, como em conteúdo e, se você não for um Stephen Sondheim ou um Chico Buarque, tem grandes chances do seu musical falar mais de você do que

 

contar a história dos seus personagens.

Componha para a sua obra.   

 

E Se eu Não for um Musicista?

Nem todo compositor sabe de fato registrar suas criações. É um problema sério, tal qual um escritor que não sabe escrever. Ambos podem ser resolvidos contratando alguém para o fazer.

Se você tem uma ideia para um musical, tem as músicas na cabeça, mas não sabe colocá-las na partitura, você vai precisar ser no mínimo afinado(a) para gravar sua voz cantando a melodia. Essas gravações podem ou não conter as letras; pode ser só la-la-la, pois para o musicista que a transformará em partitura só interessa as notas musicais.

Esse musicista precisará entender de canto, pois nem tudo que vai pra partitura pode ser executado vocalmente e os cantores possuem registros vocais distintos com limites de extensões bem distintas. 

Exemplificando:

Vamos supor que você criou uma personagem que é uma severa matriarca e lhe deu uma canção de abertura grave e pesada. A atriz contratada para o papel será uma Contralto (voz feminina grave).  Se mais a frente você a imaginar cantando um música cheia de agudos e timbres leves, bem, ficará só na sua imaginação, pois ela não conseguirá executar, ou o fará com sofrimento, para ela e para a plateia.

O musicista com experiência em canto saberá como transpor a música ou mesmo te instruir sobre o alguma incoerência intransponível.

Comece a Criar Já

 Editor de Textos  e Pentagrama (ou um gravador de voz) a sua frente? é só isso que você precisa para iniciar sua experiência como Autor de Teatro Musical.

Siga os passos iniciais dos artigos sugeridos acima e inclua as músicas nos momentos de desenvolver os diálogos.

Atente-se ao fato de que, em muitos casos, as músicas substituem todos os diálogos. Lembre-se, música no  Teatro Musical não é ornamento, é parte da estrutura.

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