ERROS COMUNS AO SE ESCREVER DIÁLOGOS – PARTE I

Os erros mais comuns ao se escrever diálogos para o teatro quase sempre se encaixam em dois quadros:

1 – Falta de conhecimento e de pesquisar os temas abordados (leia Pesquisar é Preciso);

2 – Não “deixar” o personagem falar por si só. Não entender a ação dramática que está criando.

Nesse artigo exemplificarei como erros relacionados à pesquisa e conhecimento podem ocorrer. Na Parte II darei continuidade exemplificando erros relacionados à ação dramática.

Os Erros Mais Comuns ao se Escrever Diálogos Relacionados à Pesquisa

Erros mais comuns ao se escrever diálogos. Se vai escrever uma peça teatral sobre um determinado tema ou que o envolve. Pesquise e tenha domínio sobre ele.
Ginger Lee McDermott, esquerda, interpreta uma reporter que entrevista Albert Einstein, interpretado por Robert Zukerman na estreia de “Relativity” de Mark St. Germain no Florida Studio Theatre. PHOTO PROVIDED BY FST

Se vai escrever uma peça teatral sobre um determinado tema ou que o envolve, pesquise e tenha domínio sobre esse tema. Um bom exemplo é o espetáculo “Relatividade” de Mark St. German (foto acima).

Agora vamos fazer uma analogia de um Resumo ( Leia: Como Começar  a Escrever uma Peça Teatral); obviamente não existe peça tão curta, mas nos serve como modelo.

RESUMO

Pedro é um maestro de sucesso, mas esconde seu vício em álcool. Chega atrasado para noite de estreia do concerto. Nos bastidores é   abordado pelo diretor, que sabe do seu vício. Ao ser questionado sobre estar bêbado e reger o concerto dessa maneira, Pedro nega, mas  deixar cair uma garrafinha de Whisky no chão. O diretor avisa que o concerto está cancelado.

DIÁLOGO

Escrevi aqui um exemplo de possível diálogo que constituirá a ação dramática. Os erros relacionados à pesquisa estão realçados em amarelo. Mas seja sincero e leia ignorando as marcas. Pareceria um texto sem erros de conhecimentos? Passaria despercebido por você na platéia?

Diretor

Pedro, você está atrasado! Onde você estava? Poxa! É a noite de estreia! Sabe há quantos meses estamos ensaiando para apresentar "O Danúbio Azul"?

Pedro

Fica calmo. Eu estou bem. Só fui dar uma voltinha. Já estão todos prontos? Os cantores, os instrumentos?¹

Diretor 

Sim. Os coristas² já estão a postos, os instrumentos já estão no palco³, os instrumentistas4 estão no camarim5 só esperando você chegar. Mas eu acho que você não está bem.

Pedro

Deixa de bobagem. Claro que estou bem. Por que você tá falando isso?

Diretor

Você não parece bem. Eu acho que você bebeu.

Pedro
Que absurdo! Por que eu beberia antes da ir reger? Claro que não. (ri). Fique tranquilo. EU tenho responsabilidade. (deixa cair a garrafinha de Whisky que se quebra no chão)

Diretor

E estou indo agora lá no palco avisar que o concerto está cancelado.

Erro 1: O Danúbio Azul  é uma música, não um concerto, que não inclui coral. Instrumentos não é uma questão do maestro.

Erro 2: Cantores de coral são Coralistas. Corista é um termo antigo, comum nos shows de Burlesco, que se refere a  mulheres que dançavam ao fundo, atrás das estrelas. Mesmo que houvesse um coral, ele nunca estaria no palco antes do aviso do maestro.

Erro 3: Nas orquestras, com exceção do piano e a percussão, os instrumentos ficam com os músicos, nunca no palco.

Erro 4: Em orquestra, que é formada por instrumentistas, eles são chamados de músicos.

Erro 5: Orquestras são formadas  comumente  por grande quantidade de músicos. Muito pouco provável que estivessem num camarim. Salas de concertos possuem grandes áreas de espera e os músicos, salvo exceções, já chegam vestidos para o concerto.

 

Existem outros erros graves nesse diálogo, mas agora de ordem da ação dramática e que tratarei no próximo artigo.

Leitura Recomendada:

FornPeça ou autor
Previous Next
Close
Test Caption
Test Description goes like this